sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Do quarto artigo do “Credo”: padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.



“Levaram, pois, Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para se não contaminarem, afim de comerem a Páscoa. Pilatos, pois, saiu fora para lhes falar e disse: Que acusação apresentais contra este homem? Responderam e disseram-lhe: Se este não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos. Pilatos disse-lhes então: Tomai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Mas os judeus disseram-lhe: A nós não nos é permitido matar ninguém. Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Respondeu Pilatos: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os pontífices são os que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste tu? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente que os meus ministros se haviam de esforçar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo tu és rei. Respondeu Jesus: Tu o dizes, sou rei, nasci, e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade ouve a minha voz. Disse lhe Pilatos: O que é a verdade? Dito isto, tornou a sair, para ir ter com os judeus e disse-lhes: Não encontro nele crime algum. Ora, é costume que eu pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? Então gritaram todos novamente, dizendo: Não este, mas Barrabás. Ora, Barrabás era um salteador.

Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lhe sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. Depois, aproximavam-se dele e diziam-lhe: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. Saiu Pilatos ainda outra vez fora, e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que conheçais que não encontro nele crime algum. Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de Púrpura. E Pilatos disse-lhes: Eis aqui o homem. Então os, príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto, gritaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu não encontro nele crime algum. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e segundo a lei deve morrer, porque se fez Filho de Deus. Pilatos, tendo ouvido estas palavras temeu ainda mais. Entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não ves que tenho poder para te soltar, e também para te crucificar? Respondeu Jesus: Tu não terias poder algum sobre mim, se não fosse dado do alto. Por isso o que me entregou a ti, tem maior pecado.

Desde este momento, procurava Pilatos soltá-lo. Porém os judeus gritavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César, porque todo o que se faz rei, declara-se contra César. Pilatos, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no seu tribunal, no lugar chamado Lithostrotos, em hebraico Gabbatha. Era a Parásceve (ou dia de preparação) da Páscoa, cerca da hora sexta, e disse aos judeus: Eis o vosso rei. Mas eles gritaram: Tira-o, tira-o, crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Pois eu, hei de crucificar o vosso rei? Responderam os pontífices: Não temos rei, senão César. Então entregou-lho, Para que fosse crucificado”.

Jo, 18, 28-40; 19, 1-23

95) Que nos ensina o quarto artigo do Credo: padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado?
O quarto artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo, para remir o mundo com o seu precioso Sangue, padeceu sob Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e morreu no madeiro da Cruz, da qual foi descido, e no fim sepultado.


“Pela declaração de “não conhecer outra coisa senão a Jesus Cristo, e por sinal que Crucificado” (1Cor 2,2), o Apóstolo apregoa a grande necessidade de conhecermos este Artigo, e o zelo que deve ter o pároco em exortar os fiéis a meditarem, o mais possível, a Paixão de Nosso Senhor.

O pároco desvelar-se-á em explicar esta verdade com a maior clareza, para que a lembrança de tão insigne benefício comova os fiéis, e os induza a estimar, devidamente, o amor e a bondade de Deus para conosco.

A primeira parte deste artigo - da segunda se falará mais adiante - nos propõe a crer que Cristo Nosso Senhor foi crucificado, quando Pôncio Pilatos governava, em nome de Tibério César, a província da Judéia. Fora encarcerado, escarnecido, coberto de toda a sorte de opróbrios e tormentos, e finalmente arvorado no madeiro da Cruz.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §1)


96) Que quer dizer a palavra padeceu?
A palavra padeceu exprime todos os sofrimentos suportados por Jesus Cristo na sua Paixão.

97) Padeceu Jesus Cristo enquanto Deus ou enquanto homem?
Jesus Cristo padeceu enquanto homem somente, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer.


“Ninguém deve supor que a parte interior de Sua Alma ficasse talvez isenta das torturas. Uma vez que Cristo assumiu, realmente, a natureza humana, força é reconhecer que também na alma sentiu dores fortíssimas. Esta é a razão de ter dito: “Minha alma está triste a ponto de morrer” (Mt 26,38).

É certo que a natureza humana estava unida à Pessoa Divina, mas nem por isso deixou de sentir menos a amargura da Paixão. Era como se tal união não existisse; na Pessoa única de Cristo se conservavam as propriedades de ambas as naturezas. Por conseguinte, o que era passível e mortal, permaneceu passível e mortal; por sua vez, o que era impassível e imortal - como cremos ser a natureza divina - conservou esta sua propriedade.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §2)


98) Que espécie de suplício era o da cruz?
O suplício da cruz era, naqueles tempos, o mais cruel e ignominioso de todos os suplícios.

99) Quem foi que condenou Jesus Cristo a ser crucificado?
Quem condenou Jesus Cristo a ser crucificado foi Pôncio Pilatos, governador da Judéia, o qual no entanto reconhecera a sua inocência; mas cedeu covardemente às ameaças dos judeus.

100) Não poderia livrar-Se Jesus Cristo das mãos dos judeus ou de Pilatos?
Sim, Jesus Cristo podia livrar-Se das mãos dos judeus ou de Pilatos; mas, conhecendo que a vontade do seu Eterno Padre era que Ele padecesse e morresse pela nossa salvação, submeteu-Se voluntariamente, e até saiu ao encontro dos seus inimigos, e deixou-Se espontaneamente prender e conduzir à morte.


“Neste Artigo, notamos uma certa insistência em indicar-se que Jesus Cristo sofreu durante o tempo, que Pôncio Pilatos governava a Judéia. O pároco ensinará que assim se fez, porque a notícia de um fato tão importante e tão necessário seria mais acessível para todos, desde que se notificasse a época certa de sua ocorrência. Conforme se lê na Escritura, o Apóstolo São Paulo também a indicou. (1Tm 6,13)

Outra razão era para que víssemos, por tais indicações, como realmente se cumpriu a predição de Nosso Salvador: “Entregá-l'O-ão aos gentios, para ser escarnecido, flagelado e crucificado” (Mt 20,19).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §3)

Escolha do suplício:

a) Desígnio de Deus: “Devemos também atribuir a um desígnio de Deus que Cristo, para morrer, escolhesse o madeiro da Cruz. Foi “para que dali mesmo [nos] renascesse a vida, por onde [nos] tinha vindo a morte”. Com efeito, a serpente que por uma árvore (Gn 3,4) vencera nossos primeiros pais, foi vencida por Cristo na árvore da Cruz.

Poderíamos, ainda, alegar muitas outras razões, que os Santos Padres desenvolveram mais largamente, e por elas demonstrar, quanto convinha que Nosso Redentor sofresse, de preferência, a morte na Cruz.

b) o melo mais adequado: O pároco, porém, advertirá os fiéis que lhes basta crer a seguinte razão: Nosso Salvador escolheu tal gênero de morte, porque [Lhe] parecia o mais próprio e conveniente para a redenção do gênero humano. Certamente, não havia outro que fosse mais vergonhoso e mais humilhante. Não eram os pagãos os únicos a verem no suplício da cruz a maior repulsão, infâmia e vergonha; também a Lei de Moisés chama de “maldito o homem que pende do madeiro”.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §4)

O mistério da Cruz:

a) O fato histórico: Não deixe o pároco de narrar o fundo histórico deste Artigo, tão exatamente consignado pelos santos Evangelistas (Mt 26,1-75; 27,1-66; Mc 14,1-72; 15,1-46; Lc 22, 1-71; 23,1-53; Jo 18,1-40; 19,1-42). Fará que os fiéis conheçam, pelo menos, os pontos principais deste Mistério, os que parecem mais necessários para confirmar a verdade de nossa fé. Neste Artigo assentam, como que em sua base, a religião e a fé cristã. Estando bem lançado este fundamento, todas as outras verdades se mantêm firmes e inabaláveis.

b) Sinal de salvação: Se há o que ofereça dificuldades, ao espírito e ao coração humano, será sem dúvida o mistério da Cruz, que de todos é considerado o mais difícil e impenetrável. Todo esforço é pouco, para chegarmos a compreender que nossa salvação depende da própria Cruz, e d'Aquele que nela foi pregado por nossa causa.

c) Objeto da Providência: No entanto, o Apóstolo ensina que neste mistério devemos [justamente] admirar a soberana Providência de Deus. Uma vez que “o mundo, com sua sabedoria, não reconheceu a Deus em Sua divina sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (1Cor 1,21). Não admira, pois, que os Profetas antes da vinda de Cristo, e os Apóstolos depois de Sua Morte e Ressurreição, tanto fizessem por convencer os homens de que era Ele o Redentor do mundo, e submetê-los ao poder e obediência do Crucificado.

d) Meios de compreendê-lo: Por não haver nada que tanto se afaste da compreensão humana, como o mistério da Cruz, Deus não cessou, logo depois do pecado, de anunciar a morte de Seu Filho, já por figuras, já pelas predições dos Profetas.

... figuras: Vamos falar de algumas figuras. Representavam, antecipadamente, a Paixão e Morte de Cristo Nosso Senhor. Em primeiro lugar, Abel morto pela inveja do irmão (Gn 3,4-8); depois a imolação de Isaac (Gn 22,1-14); o cordeiro sacrificado pelos judeus, ao saírem do Egito (Ex 12,1-14; 21ss); afinal, a serpente que Moisés alçou no deserto (Nm 21,4-9).

... profecias: Quanto aos Profetas, é por demais conhecido o número dos que vaticinaram sobre o mesmo assunto. Não se faz mister entrar aqui em pormenores.

Sem falar de David que, nos Salmos, abrangeu todos os principais mistérios de nossa Redenção, distinguem-se, entre as mais, as predições de Isaías. São tão claras e evidentes que, com razão, se nos afiguram ser antes a narração de fatos consumados, do que uma previsão de coisas futura.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §5)


101) Onde foi crucificado Jesus Cristo?
Jesus Cristo foi crucificado sobre o monte Calvário.

102) Que fez Jesus Cristo na Cruz?
Jesus Cristo na Cruz orou pelos seus inimigos, deu por Mãe ao discípulo São João, e na pessoa dele a nós todos, a sua mesma Mãe, Maria Santíssima; ofereceu a sua morte em sacrifício, e satisfez à justiça de Deus pelos pecados dos homens.

103) Não bastaria que viesse um Anjo satisfazer por nós?
Não bastava que viesse um Anjo satisfazer por nós, porque a ofensa feita a Deus pelo pecado era, sob certo aspecto, infinita; e para satisfazê-la requeria-se unia pessoa que tivesse merecimento infinito.


104) Para satisfazer à justiça divina era necessário que Jesus Cristo fosse Deus e homem ao mesmo tempo?
Sim, era necessário que Jesus Cristo fosse homem para poder padecer e morrer, e era necessário que fosse Deus, para que os seus sofrimentos fossem de valor infinito.

105) Por que razão era necessário que os merecimentos de Jesus Cristo fossem de valor infinito?
Era necessário que os merecimentos de Jesus Cristo fossem de valor infinito, porque a majestade de Deus, ofendida pelo pecado, é infinita.

106) Era necessário que Jesus Cristo padecesse tanto?
Não era absolutamente necessário que Jesus Cristo padecesse tanto, porque o menor dos seus sofrimentos bastaria para a nossa redenção, pois cada um dos seus atos era de valor infinito.

107) Por que então Jesus quis sofrer tanto?
Jesus quis sofrer tanto, para satisfazer mais abundantemente à justiça divina, para nos mostrar mais claramente o seu amor, e para nos inspirar maior horror ao pecado.

108) Aconteceram prodígios na morte de Jesus?
Sim, na morte de Jesus obscureceu-se o sol, tremeu a terra, abriram-se algumas sepulturas, e muitos mortos ressuscitaram.

109) Onde foi sepultado o corpo de Jesus Cristo?
O corpo de Jesus Cristo foi sepultado num túmulo novo, escavado na rocha do monte, pouco distante do lugar onde Ele foi crucificado.

110) Na morte de Jesus Cristo, separou-se a divindade do corpo e da alma?
Na morte de Jesus Cristo a divindade não se separou nem do corpo nem da alma; mas só a alma se separou do corpo.


A Morte de Jesus

a) Jesus podia morrer: “Ademais, homem que era perfeito e verdadeiro, Cristo podia também morrer, no sentido próprio da palavra. Ora, o homem morre, quando a alma se aparta do corpo. Portanto, com o dizermos que Jesus morreu, queremos simplesmente declarar que Sua Alma foi separada do Corpo.

b) Como de fato morreu: Mas, por tal afirmação, não admitimos que do Corpo se tenha separado [também] a Divindade. Muito pelo contrário. Com fé inabalável confessamos que, depois de separada a Alma do Corpo, a Divindade permaneceu sempre unida, não só ao Corpo no sepulcro, como também à Alma nos Infernos.

c) Porque morreu?: Convinha que o Filho de Deus morresse, “a fim de aniquilar aquele que tinha o poder da morte, isto é, o demônio; e libertar aqueles que, pelo temor da morte, passavam toda a vida em escravidão” (Hb 2,14).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §6)


Caráter voluntário:

a) ... morreu porque quis: O que houve de extraordinário em Cristo Nosso Senhor é ter morrido, quando Ele mesmo decretou morrer; é ter sofrido a morte por um ato de Sua vontade, e não por violência estranha. Foi Ele mesmo que determinou não só a Sua própria morte, mas até o lugar e o tempo em que havia de morrer.

segundo Isaías e suas próprias previsões...: Assim pois profetizara Isaías:
“Foi imolado, porque Ele próprio o quis” (Is 53,7). E antes da Paixão, o Senhor mesmo disse de Si próprio: Eu dou a Minha vida, para que a tome de novo. Ninguém a tira de Mim, mas sou Eu que a dou de Mim mesmo. Tenho o poder de dá-Ia, e tenho o poder de tomá-Ia de novo(Jo 10,17-18).

... quanto ao tempo e lugar
: Quando Herodes espreitava a ocasião de Lhe dar a morte, Cristo mesmo Se declarou a respeito do tempo e lugar:
Ide dizer a essa raposa: Eis que lanço fora os demônios, e faço curas hoje e amanhã, e no terceiro dia morrerei. Mas, hoje e amanhã, e no dia seguinte, devo ainda caminhar, porque não convém que um profeta pereça fora de Jerusalém” (Lc 13,32-33).

b) não sucumbiu por violência alheia, mas por força de seu próprio amor: Cristo nada fez, portanto, contra a Sua vontade, ou por imposição alheia. Pelo contrário, foi voluntariamente que Se entregou a Si mesmo. Indo ao encontro de Seus inimigos, disse-lhes: Sou Eu” (Jo 18,5). E de livre vontade aturou todos os iníquos e cruéis tormentos, que Lhe foram infligidos. 

Frutos desta consideração: Quando nos pomos a meditar todas as Suas dores e padecimentos, esta é a circunstância que mais nos deve empolgar o coração. Se alguém tivera sofrido por nós todas as dores, não espontaneamente, mas só por não poder evitá-las, é certo que nessa atitude não veríamos uma mercê de grande valor. Mas, quando alguém sofre a morte só por nossa causa; quando o faz de livre vontade, ainda que lhe seja possível esquivar-se, - então é que nos dá realmente uma prova de extrema bondade. Por mais que desejasse, ninguém teria meios de lho agradecer, e muito menos de lho retribuir condignamente. Por tal critério podemos avaliar o soberano e extremado amor de Jesus Cristo, os direitos divinos e infinitos que adquiriu sobre o nosso coração.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §7)


Sepultura de Jesus:

Em seguida, confessamos que Cristo foi sepultado. Propõe-se esta parte do Artigo, não porque contenha nova dificuldade, além das que já foram resolvidas acerca de Sua morte. Na verdade, fácil será persuadir-nos de que foi também sepultado.

a) provar a morte real: Acrescentou-se esta circunstância, antes de tudo, para que ficasse acima da menor dúvida a realidade de Sua morte. O sinal mais seguro de um trespasse está, pois, em provar-se que o corpo foi sepultado. Esse fato devia também dar maior realce ao milagre da Ressurreição.

b) declarar que Deus foi sepultado: Conforme o dogma de fé expresso naquelas palavras, não cremos simplesmente que o Corpo de Cristo teve sepultura; mas confessamos antes de tudo que [o próprio] Deus foi sepultado. De maneira análoga, dizemos em toda a verdade, e conforme a regra de fé católica, que foi Deus quem morreu, e quem nascera de uma Virgem. De fato, assim como a Divindade nunca se apartou do corpo, quando encerrado no sepulcro, assim temos também toda a razão de confessar que Deus foi sepultado.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §8)

O fato como tal:

a) glória da incorrupção: Quanto à maneira e ao lugar da sepultura, basta que o pároco se atenha à exposição dos Santos Evangelhos. Dois fatos há, aos quais deve votar particular atenção. O primeiro é que o Corpo de Cristo ficou no sepulcro perfeitamente livre de toda decomposição, conforme havia vaticinado o Profeta: Não permitireis que o Vosso Santo sofra corrupção” (Sl 15,10; At 2,27-31).

b) em que sentido foi Deus sepultado: O segundo é que todas as partes deste Artigo, a saber, a Sepultura, a Paixão e a Morte, são atribuídas a Cristo Jesus, enquanto Homem, e não enquanto Deus. O sofrer e o morrer são um quinhão exclusivo da natureza humana. Isto não obstante, enunciamos todas estas coisas também com relação a Deus. Como é evidente, podem ser ditas também daquela Pessoa que, ao mesmo tempo, é Deus perfeito e perfeito Homem.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. V, §9)


111) Por quem morreu Jesus Cristo?
Jesus Cristo morreu pela salvação de todos os homens, e satisfez por todos.

112) Se Jesus Cristo morreu pela salvação de todos, por que nem todos se salvam?
Jesus Cristo morreu por todos, mas nem todos se salvam, porque nem todos O reconhecem, nem todos seguem a sua lei, nem todos se servem dos meios de santificação que nos deixou.

113) Para nos salvarmos não basta que Jesus tenha morrido por nós?
Para nos salvarmos não basta que Jesus Cristo tenha morrido por nós, mas é necessário que sejam aplicados, a cada um de nós, o fruto e os merecimentos da sua Paixão e morte, aplicação que se faz, sobretudo, por meios dos Sacramentos, instituídos para este fim pelo mesmo Jesus Cristo; e como muitos ou não recebem os Sacramentos, ou não os recebem com as condições devidas, eles tornam inútil para si próprios a morte de Jesus Cristo.


No próximo artigo, o que o Catecismo nos traz sobre a Meditação da Paixão de Nosso Senhor e os frutos desta.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Do terceiro artigo do “Credo”: o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem



“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem, chamado José, da casa de Davi. O nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, o anjo lhe disse: “Deus te salve, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Ao ouvir as palavras, ela se perturbou e refletia no que poderia significar a saudação. Mas o anjo lhe falou: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará na casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim”.

Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, pois não conheço homem?” Em resposta o anjo lhe disse: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; e por isso mesmo Santo que vai nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice, e este é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”.

Disse então Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Aconteça comigo segundo tua palavra!” E o anjo afastou-se dela.”

Lc 1, 26-33

82) Que nos ensina o terceiro artigo do Credo: o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem?
O terceiro artigo do Credo ensinam-nos que o Filho de Deus tomou um corpo e uma alma, como nós temos, no seio puríssimo de Maria Santíssima, pelo poder do Espírito Santo, e que nasceu desta Virgem.


“O sentido desse artigo se resume em crermos e confessarmos que o mesmo Jesus Cristo, nosso único Senhor e Filho de Deus, assumindo carne humana no seio da Virgem pela nossa salvação, não foi concebido de germe masculino, como os outros homens, mas por obra do Espírito Santo (Mt 1,20), acima de todas as leis da natureza, de sorte que a mesma Pessoa permaneceu Deus, qual era desde toda a eternidade, e tornou-se então Homem, o que antes nunca tinha sido (Jo 1,4).

O que prova claramente, ser este - o sentido destas palavras, é a profissão de fé do Sagrado Concílio de Constantinopla: “O qual desceu dos céus, por amor de nós homens, e por causa de nossa salvação; e encarnou de Maria Virgem por obra do Espírito Santo, e se fez homem”.

Assim também o explicou São João Evangelista que, do peito do próprio Senhor e Salvador, havia haurido o conhecimento deste profundo mistério. Depois de ter explicado a natureza do Verbo Divino com as palavras: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1); - conclui por fim: “E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §1)


83) Concorreram o Padre e o Filho também para formar o corpo e para criar a alma de Jesus Cristo?
Sim, para formar o corpo e para criar a alma de Jesus Cristo, concorreram todas as três Pessoas divinas.

84) Por que se diz só: foi concebido pelo poder do Espírito Santo?
Diz-se só: foi concebido pelo poder do Espírito Santo, porque a Encarnação do Filho de Deus é obra de bondade e de amor, e as obras de bondade e de amor atribuem-se ao Espírito Santo.


A conceição de Cristo é...: “Quando dizemos que o Filho de Deus foi concebido por obra do Espírito Santo, não afirmamos que esta Pessoa da Santíssima Trindade consumou sozinha o mistério da Encarnação. Ainda que só o Filho assumiu a natureza humana, nem por isso deixaram de ser autoras deste mistério todas as três Pessoas da Santíssima Trindade, o Padre, o Filho e o Espírito Santo.

Obra comum das três Pessoas: Em geral, devemos ter como norma de fé cristã: Tudo o que Deus opera fora de si nas coisas criadas, é obra comum das três Pessoas. Uma não opera mais do que as outras, nem uma sem as outras.

A única coisa que não pode ser comum a todas as Pessoas, o modo de proceder uma da outra. Com efeito, só o Filho é gerado pelo Padre, o Espírito Santo procede do Padre e do Filho.

Tudo, porém, o que operam para fora, é obra comum das três Pessoas, sem diferença alguma. A esta espécie de operação pertence a Encarnação do Filho de Deus.

... mas atribuída ao Espírito Santo em particular: Apesar disso, a Sagrada Escritura costuma, das coisas que são comuns às três Pessoas, atribuir umas a esta Pessoa, outras àquela, como por exemplo ao Padre o supremo poder sobre todas as coisas, ao Filho a sabedoria, e o amor ao Espírito Santo.

Como o mistério da Encarnação de Deus nos revela a singular e imensa benignidade de Deus para conosco, é por esse motivo que, de modo particular, atribuímos essa operação ao Espírito Santo.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §3)


85) Fazendo-se homem, deixou o Filho de ser Deus?
O Filho de Deus, fazendo-se homem, não deixou de ser Deus.

86) Então Jesus Cristo é Deus e homem ao mesmo tempo?
Sim, o Filho de Deus encarnado, isto é, Jesus Cristo, é Deus e homem ao mesmo tempo, perfeito Deus e perfeito homem.

87) Há então em Jesus Cristo duas naturezas?
Sim, em Jesus Cristo, que é Deus e homem, há duas naturezas, a divina e a humana.


Modo de união entre as duas naturezas: “O Verbo, que é uma Pessoa da natureza divina, assumiu de tal forma a natureza humana que uma e a mesma Pessoa é o “suporte” das naturezas divina e humana.

Daí resultou que, nessa admirável união, se conservaram as operações e propriedades de uma e outra natureza. E na frase do célebre Pontífice São Leão Magno, “nem a glória da natureza superior destruiu a inferior, nem a elevação da natureza inferior diminuiu a dignidade da superior” (S. Leão Magno Sermão 21,2).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §2)


88) E haverá também em Jesus Cristo duas pessoas, a divina e a humana?
No Filho de Deus feito homem há só uma Pessoa, que é a divina.

89) Quantas vontades há em Jesus Cristo?
Em Jesus Cristo há duas vontades, uma divina, outra humana.

90) Tinha Jesus Cristo vontade livre?
Sim, Jesus Cristo tinha vontade livre, mas não podia fazer o mal, porque poder fazer o mal é defeito, e não perfeição da liberdade.


Caráter da conceição de Cristo:
a) Aspecto natural: “Verifica-se, neste mistério, que alguns elementos superam a ordem da natureza, e que outros lhe são conformes. Cremos que o Corpo de Cristo se formou do sangue da Virgem Sua Mãe, e nisso reconhecemos uma operação da natureza humana. É lei natural que todo corpo humano se forme do sangue materno.

b) Aspecto sobrenatural: Mas, o que ultrapassa a ordem natural das coisas, e supera a força de nossa inteligência é o fato de que, no instante de consentir a bem aventurada Virgem às palavras do Anjo, declarando: “Eis aqui a escrava do Senhor, cumpra-se em mim a Vossa palavra” (Lc 1,38) - logo começou a formar-se [nela] o santíssimo Corpo de Cristo, ao qual se uniu uma alma dotada de inteligência, de sorte que, no mesmo instante, o Deus perfeito se tornou perfeito homem.

quanto ao corpo - obra do Espírito Santo: Ninguém pode duvidar que esta foi uma nova e admirável obra do Espírito Santo, pois segundo a ordem da natureza a alma humana não pode informar nenhum corpo, senão em certo lapso de tempo.

quanto a divindade - união hipostática: Acresce ainda outro fato, digno de maior admiração. Tanto que a alma se uniu ao corpo, a própria Divindade se uniu também ao corpo e à alma. Por conseguinte, logo que o corpo foi formado, e simultaneamente animado, a Divindade ficou ligada tanto ao corpo como à alma. 

quanto à alma - plenitude de dons e carismas: Mas, como acabamos de dizer, o Corpo de Cristo se formou do puríssimo sangue da Virgem toda Imaculada, sem nenhuma interferência de varão, mas unicamente pela virtude do Espírito Santo.

Assim também a Sua Alma recebeu, desde o primeiro instante da conceição, a mais rica abundância do Espírito Santo e toda a plenitude de [Seus] dons e carismas. Segundo o testemunho de São João Batista, Deus “não Lhe dá o Espírito por medida”, como aos outros homens, aos quais reveste de graça e santidade, mas infundiu-Lhe na alma todas as graças com tanta profusão, que “de Sua plenitude todos nós recebemos”.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §4)


91) Serão uma e a mesma Pessoa o Filho de Deus e o Filho de Maria Santíssima?
O Filho de Deus e o Filho de Maria Santíssima são a mesma Pessoa, isto é, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

92) E a Virgem Maria, será Mãe de Deus?
Sim, Maria Santíssima é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus Cristo, que é verdadeiro Deus.

93) De que maneira veio Maria a ser Mãe de Jesus Cristo?
Maria veio a ser Mãe de Jesus Cristo unicamente por virtude do Espírito Santo.

94) É de fé que Maria foi sempre Virgem?
Sim, é de fé que Maria Santíssima foi sempre Virgem, e é chamada a Virgem por excelência.


“Daí se segue que, no mesmo instante, Deus perfeito veio a ser perfeito homem; e que a Santíssima Virgem pode, verdadeira e propriamente, ser chamada Mãe de Deus, porque no mesmo instante concebia a Deus e ao Homem.

É o que também lhe foi significado, quando o Anjo lhe dissera: “Eis que conceberás no teu seio, e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Este será grande, e chamar-Lhe-ão Filho do Altíssimo” (Lc 1,31). E por este fato se realizou a profecia de Isaías: “Eis que uma Virgem conceberá, e dará à luz um Filho” (Is 7,14).

Assim também reconheceu Isabel a conceição do Filho de Deus, quando toda cheia do Espírito Santo prorrompeu nas palavras: “Donde me vem esta graça de chegar a mim a Mãe do meu Senhor?” (Lc 1,43).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §4)


Nasceu de Maria Virgem

1 - Nasceu... Esta é a segunda parte do presente Artigo. O pároco fará todo o empenho de explicá-la acuradamente, porque impõe aos fiéis a obrigação de crerem que Jesus Nosso Senhor não só foi concebido por obra do Espírito Santo, mas também nasceu de Maria Virgem, e por ela foi posto neste mundo.

a) para regozijo nosso... O Anjo foi o primeiro a anunciar ao mundo esta mensagem de felicidade, e suas palavras nos dão a entender, com quanta alegria e elevação de espírito não devemos meditar este mistério da fé: “Eis que venho anunciar-vos uma grande alegria para todo o povo” (Lc 2,10-14). E também os cantares da milícia celeste: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!” (Lc 2,10-14)

b) segundo as profecias... Desde aquele instante, começou realmente a cumprir-se a grandiosa promessa de Deus a Abraão, quando lhe dissera que, um dia, “todos os povos seriam abençoados em sua descendência” (Gn 22,18). Maria, a quem proclamamos e veneramos como verdadeira Mãe de Deus, - por ter dado à luz aquela Pessoa que era ao mesmo tempo Deus e Homem, - [Maria] descendia da estirpe real de David. (Mt 1,1-17)” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §7)

2 - de Maria Virgem... Se a conceição de Cristo já excede toda a ordem da natureza, em Seu nascimento nada podemos contemplar que não seja de caráter divino.

O que há de mais admirável, o que sobrepuja a tudo quanto o homem possa dizer ou imaginar, é o fato de nascer Ele de Sua Mãe, sem que daí resultasse a menor lesão da virgindade materna.

Assim como mais tarde saiu do sepulcro fechado e selado; assim como “entrou para junto de Seus Discípulos, apesar das portas fechadas” (Jo 20,19); assim como, na observação diária da natureza, vemos os raios solares atravessarem um vidro compacto, sem o quebrar, e sem lhe fazer o menor estrago; - assim também, e de maneira mais sublime, nasceu Jesus Cristo do seio de Sua Mãe, sem nenhum dano para a integridade materna.

É, pois, com os mais justos louvores que, em Maria, enaltecemos uma virgindade perpétua e intemerata. Operado foi este milagre pela virtude do Espírito Santo. De tal modo assistiu a Mãe na conceição e no nascimento do Filho que, dando-lhe fecundidade, lhe conservou todavia a virgindade.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §8)

que é a segunda Eva... De vez em quando, costuma o Apóstolo designar a Cristo como o “segundo Adão” (1Cor 15,21-32; Rm 5,14) "', e confrontá-l'O com o primeiro Adão. Realmente, assim como pelo primeiro Adão todos os homens sofrem a morte, assim pelo segundo são todos novamente chamados à vida. Assim como Adão foi pai do gênero humano segundo as leis da natureza, assim também Cristo é [para todos o autor da graça e bem-aventurança.

Por analogia, podemos igualmente comparar com Eva a Virgem Mãe [de Deus]. A primeira Eva corresponde a segunda, que é Maria; assim como acabamos de mostrar que o segundo Adão - Cristo - corresponde ao primeiro Adão.

Por ter dado crédito à serpente (Gn 3,6; Eclo 25,33), Eva acarretou maldição e morte ao gênero humano. Maria acreditou nas palavras do Anjo (Lc 1,38), e obteve que aos homens viesse [novamente] bênção e vida (Ef 1,3). Por culpa de Eva, nascemos filhos da ira (Ef 2,3); por Maria recebemos Jesus Cristo, que nos faz renascer como filhos da graça (Gl 4,4-7). A Eva foi dito: Em dores darás à luz [teus] fiIhos (Gn 3,16). Maria ficou isenta desta lei. Conservando a integridade de sua virginal pureza, como dizíamos há pouco, Maria deu à luz a Jesus, Filho de Deus, sem sofrer dor de espécie alguma.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. IV, §9)


Por aqui encerramos o terceiro artigo do credo. Logo passaremos ao próximo. Salve Maria!


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Do segundo artigo do “Credo”: e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor



“Imediatamente Jesus obrigou os seus discípulos a subir para a barca e a passarem antes dele à outra margem do lago, enquanto ele despedia as turbas. Despedidas as turbas, subiu só a um monte para orar. Quando chegou a noite, achava-se ali . Entretanto, a barca achava-se a muitos estádios da terra e era batida pelas ondas, porque o vento era contrário. Porém, na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar. E (os discípulos), quando o viram andar sobre o mar, turbaram-se dizendo: É um fantasma. E, com medo, começaram a gritar. Mas Jesus falou-lhes imediatamente, dizendo: Tende confiança; sou eu, não reinais.

Respondendo Pedro, disse: Senhor, se és tu, manda-me ir até onde estás por sobre as águas. Ele disse: Vem. Descendo Pedro da barca, caminhava sobre a água para ir a Jesus. Vendo, porém, que o vento era forte, temeu, e, começando a submergir-se, gritou, dizendo: Senhor, salva-me! Imediata mente Jesus estendendo a mão, o tomou e lhe disse: Homem de pouca fé, porque duvidaste? Depois que subiram para a barca, o vento cessou. Os que estavam na barca aproximaram-se dele e o adoraram, dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus.”

Mt 14, 22-33


68) Que nos ensina o segundo artigo do Credo: e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor?
O segundo artigo do Credo ensina-nos que o Filho de Deus é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; que Ele é Deus eterno, todo-poderoso, Cria for e Senhor, como o Padre; que se fez homem par nos salvar; e que o Filho, de Deus feito homem se chama Jesus Cristo.


Crer em Nosso Senhor Jesus Cristo é primordial para a nossa salvação, como já vimos. Vejamos o que diz o catecismo romano:
“Em crer e professar o presente Artigo, encontra o gênero humano imensas e admiráveis vantagens, consoante o testemunho de São João: “Quem confessa que Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele permanece em Deus” (1Jo 4,5).

Prova-o também a palavra de Cristo Nosso Senhor, quando proclamava a bem-aventurança do Príncipe dos Apóstolos: “Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, pois não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas antes Meu Pai que está nos céus” (Mt 16,17).

Realmente, esta fé e esta profissão constituem a base mais sólida para nosso resgate e salvação.”(Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §1)

Nesse artigo reconhecemos a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual sem Ele não teríamos possibilidades de salvação. Caindo o gênero humano no pecado, por culpa da desobediência de Adão, não poderíamos retornar ao estado inicial de graça por nossa própria conta. E por isso o Filho de Deus se encarnou para nos resgatar.

“Os admiráveis frutos deste artigo aparecem com maior evidência, se considerarmos como se destruiu o venturoso estado em que Deus colocara os primeiros homens. O pároco fará, pois, todo o possível, para que os fiéis reconheçam, nisso, a causa das misérias e desgraças que todos nós padecemos.

Adão apartou-se da obediência devida a Deus, quando violou a proibição: “De todas as árvores do Paraíso poderás comer, mas não comas da árvore da ciência do bem e do mal. No dia que dela comeres, morrerás de morte” (Gn 2,16-17).

Ele caiu logo no maior dos infortúnios, perdendo a santidade e justiça em que fora constituído, ficando sujeito a outros males, conforme ensina mais longamente o Santo Concílio de Trento.

De outro lado, o pároco fará ainda ver que o pecado e seu castigo não se detiveram só na pessoa de Adão; mas que de Adão, como sua fonte e origem, passaram merecidamente para toda a sua posteridade.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §2)

“Uma vez decaído de tão alta dignidade, nada podia levantar o gênero humano e reintegrá-lo no estado primitivo, nem as forças humanas, nem as forças angélicas. Em vista de tal ruína e desgraça, não restava, pois, outro remédio, senão o infinito poder com que o Filho de Deus, assumindo a fraqueza de nossa carne, devia destruir a infinita malícia do pecado, e pelo Seu Sangue reconciliar-nos com Deus.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §3)

Mas Deus em sua infinita bondade tem um plano de salvação. E o prometeu desde a queda do homem, inúmeras vezes, aos primeiros pais, aos profetas, ao povo judeu.

“Ora, o crer na Redenção e o professá-la sempre foram condições necessárias para a salvação dos homens. Assim Deus o ensinou, desde o início da Revelação.

No mesmo instante que condenava o gênero humano, imediatamente após o pecado, Deus fez nascer a esperança de resgate, pelas (próprias) palavras com que anunciou ao demônio a dura derrota que lhe resultaria da libertação dos homens: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a sua descendência. Esmagará ela a tua cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §4)


69) Por que se chama Filho a segunda Pessoa?
A segunda Pessoa chama-se Filho porque é gerada pelo Padre por via de inteligência, desde toda da ti eternidade; e por este motivo se chama também Verbo eterno do Padre.


Jesus é Filho de Deus:
“São mais profundos ainda os mistérios que estas palavras nos propõem a respeito de Jesus. Levam os fiéis a crer piedosamente que é Filho de Deus, e verdadeiro Deus como o Padre, que O gerou desde toda a eternidade.

De igual natureza como as outras pessoas: Além disso, confessamos que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, perfeitamente igual às duas outras Pessoas Divinas. Nenhuma desigualdade ou diferença pode haver, ou imaginar-se nas três Pessoas divinas, porque em todas elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma só vontade, de um só poder.

Esta verdade se nos antolha em muitos lugares da Sagrada Escritura. O mais claro, todavia, é o testemunho de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava cam Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1,1).

Gerado desde toda a eternidade: Ouvindo, porém, que Jesus é Filho de Deus, não nos ponhamos a imaginar que em Sua geração exista algo de terreno ou mortal. O ato pelo qual o Padre gera ao Filho desde toda a eternidade, não o podemos absolutamente perceber com a inteligência, e muito menos compreendê-lo de maneira adequada. Devemos, no entanto, acreditá-lo com firmeza, e adorá-lo com a maior devoção de nossa alma. Como que arrebatados de admiração pelo Mistério, cumpre-nos exclamar com o Profeta: “Quem poderá explicar a Sua geração?” (Is 53,8).

Consubstancial ao Padre: Deve crer-se, portanto, que o Filho tem a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria que o Padre, conforme o confessamos mais explicitamente no Símbolo de Nicéia: “E em Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, e gerado pelo Padre antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de Deus verdadeiro, gerado, não feito, da mesma substância que o Padre, e pelo qual foram feitas todas as coisas”. (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §8)


70) Sendo também nós filhos de Deus, por que Jesus Cristo se chama Filho único de Deus Padre?
Jesus Cristo chama-se Filho único de Deus porque só Ele é por natureza seu Filho, e nós seus filhos por criação e por adoção.


“No mais, é preferível contemplar simplesmente o que a fé nos propõe, e crer e confessar, com sinceridade, que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

Como Deus, foi gerado pelo Padre antes de todos os séculos; como Homem, nasceu no tempo, de Sua Mãe a Virgem Maria.

Posto que em Cristo se deve admitir um duplo nascimento, cremos todavia que há um só Filho. É pois uma e a mesma Pessoa, na qual se unem as naturezas divina e humana.”. (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §9)

“Da parte da geração divina, Cristo não tem irmãos nem co-herdeiros, visto ser Ele o Filho Único do Padre, enquanto nós homens somos apenas uma formação e obra de Suas mãos. (Cf Is 64,8)

Se entanto considerarmos Sua origem humana (Hb 2,12), veremos que Cristo não só dá a muitos o nome de “irmãos”, mas também os trata realmente como tais, para que com Ele alcancem ao mesmo tempo a glória da herança paterna. São aqueles que pela fé receberam a Cristo Nosso Senhor (Lc 8,21; Jo 1,12-13), e por obras de caridade comprovam a fé que professam de boca. Eis por que o Apóstolo Lhe chamou o “Primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8,29).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §10)



71) Por que Jesus Cristo se chama Nosso Senhor?
Chama-se Jesus Cristo Nosso Senhor não se porque, enquanto Deus, juntamente com o Padre e o Espírito Santo, rios criou, como também porque, em enquanto Deus e homem rios remiu com seu Sangue.


“Entre as muitas afirmações da Sagrada Escritura a respeito de Nosso Salvador, não é difícil reconhecer que umas Lhe convêm como a Deus, outras como a Homem.

Das duas naturezas diversas, [Cristo] recebeu também as diversas propriedades. Assim dizemos, com toda a verdade, que Cristo é onipotente, eterno, imenso. Estes atributos Lhe advêm da natureza divina. E dizemos também que Ele sofreu, morreu e ressurgiu. Ninguém duvida que tais fatos só podem ser atribuídos à natureza humana.

Como Deus: Mas existem ainda outros atributos que convêm a ambas as naturezas, como o nome de “Nosso Senhor”, que ora Lhe damos. Se, portanto, este nome se aplica a uma e outra natureza é com toda a razão que Cristo deve ser chamado “Nosso Senhor”.

Do mesmo modo que Ele é Deus eterno como o Padre, assim é também, como o Pai, Senhor de todas as coisas. Como Ele e o Padre não são dois deuses diversos, mas inteiramente o mesmo Deus, assim também Ele e o Padre não são dois Senhores diferentes.

Como Homem... por causa da Redenção...: Com razão é chamado “Nosso Senhor” também em Sua condição de Homem. Há muitos títulos que o justificam. Em primeiro lugar, por ser nosso Redentor, e nos ter livrado de nossas culpas, recebeu por direito o poder de ser deveras e chamar-se “Nosso Senhor”.

É o que nos ensina o Apóstolo: “Humilhou-se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Por essa razão, Deus também O exaltou e Lhe deu um nome que fica acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho, dos que estão no céu, na terra, e nos infernos; e toda língua proclame que Jesus Cristo está na glória de Deus Padre” (Fl 2,8ss). Após a Ressurreição, Cristo disse de Si mesmo: “A Mim foi dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28,18).

Por causa da união hipostática: Em segundo lugar, é chamado “Senhor” também, porque reúne numa só Pessoa duas naturezas, a divina e a humana. Ainda que Cristo por nós não morrera, contudo essa admirável união Lhe teria merecido o titulo de soberano Senhor de todas as coisas criadas, em particular dos fiéis que Lhe prestam obediência, e que O servem com o maior afeto de seu coração.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §11)

Assim, como um senhor possui servos, Nosso Senhor também possui os seus, aqueles que no dia do Batismo renunciaram a Satanás e se consagraram inteiramente a Ele. Mas por amor e benignidade, para nos fazer merecer a bem aventurança, Nosso Senhor nos atrai nos chamando de amigos e irmãos, motivo que nos faz conhecer Sua grandeza e amá-lo, adorá-lo e servi-lo como Nosso Senhor.

Nós somos seus escravos: “Como nos resta ainda dizer, o pároco inculcará aos fiéis que, levando nós de Cristo o nome de cristãos, não podemos ignorar os imensos benefícios de que Ele nos cumulou, máxime a bondade com que, pela luz da fé, nos fez conhecer todos estes mistérios. Convém, pois, e força é repeti-lo, que nós - com maior obrigação que os outros mortais - para sempre façamos entrega
e consagração de nós mesmos a Nosso Senhor e Redentor, na qualidade de escravos totalmente Seus.

Pelo compromisso batismal...: Na verdade, assim o prometemos à porta da igreja, quando recebíamos a iniciação do Batismo. Ali declaramos que renunciávamos a Satanás e ao mundo, para nos consagrarmos inteiramente a Jesus Cristo.

Mas, desde que, para entrar na milícia cristã, nos entregamos a Nosso Senhor, por tão santo e solene compromisso, que castigo não mereceríamos, se, depois de entrar no grêmio da Igreja, depois de conhecer a vontade e os preceitos de Deus, depois de receber a graça dos Sacramentos, fôssemos viver segundo as leis e normas do mundo e do demônio, como se no dia do Batismo nos houvéramos alistado no serviço do mundo e do demônio, que não de Cristo Nosso Senhor e Redentor.

Mas Cristo nos chama de “amigos” e “irmãos”: Em vista de tanto amor e benignidade para conosco, que coração se não sentiria abrasado de amor por tão grande Senhor? Apesar de nos ter debaixo de Seu poder e domínio, servos que somos remidos pelo Seu sangue, Cristo nos ama com tais extremos que já não nos chama de servos, mas de amigos e irmãos (Jo 15,14-15). Esta é, sem dúvida, a mais justa, e talvez a mais forte de todas as razões, por que devemos para todo o sempre reconhecê-l'O, venerá-l'O, e servi-l'O como Nosso Senhor.


72) Por que o Filho de Deus feito homem se o chama Jesus?
O Filho de Deus feito homem chama-se Jesus que quer dizer Salvador, porque nos salvou da morte eterna que merecíamos por nossos pecados.


73) Quem deu o nome de Jesus ao Filho de feito homem?
Foi o mesmo Padre Eterno que deu o nome de Jesus ao Filho de Deus feito homem, por meio do Arcanjo São Gabriel, quando este anunciou à Virgem Santíssima o mistério da Encarnação.


“Jesus é o nome próprio d'Aquele que é Deus e homem ao mesmo tempo. Significa “Salvador”. Não Lhe foi posto casualmente, por escolha e vontade dos homens, mas por ordem e intenção de Deus.

Assim o declarou o Anjo Gabriel a Maria, Sua Mãe: “Eis que conceberás em teu seio, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus” (Lc 1,31). E depois ordenou a José, esposo da Virgem, desse tal nome ao menino, e indicou-lhe ao mesmo tempo as razões por que devia chamar-Se assim: “José, filho de David, não tenhas receio de levar para tua casa Maria, tua esposa; pois o que nela foi concebido, obra é do Espírito Santo. Portanto, ela há de dar à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele há de remir Seu povo de seus pecados” (Mt 1,20-21).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §5)


74) Por que o Filho de Deus feito homem se chama também Cristo?
O filho de Deus feito homem chama-se também Cristo, que quer dizer Ungido e consagrado, porque antigamente ungiam-se os reis, os sacerdotes e os profetas e Jesus é Rei dos reis, Sumo Sacerdote e Sumo Profeta.

75) Foi Jesus Cristo verdadeiramente ungido e consagrado com unção corporal?
A unção de Jesus Cristo não foi corporal, como a dos antigos reis, sacerdotes e profetas, mas toda espiritual e divina, porque a plenitude da divindade habita n'Ele substancialmente.


Os reis e sacerdotes: “Ao nome de Jesus também se acrescentou o apelido de “Cristo”, cuja significação é “Ungido”. Serve para designar uma dignidade e um ministério. Não é próprio de uma só categoria, mas é uma designação comum de várias funções.

Na antiguidade, nossos pais chamavam de “cristos” aos sacerdotes e aos reis, porquanto Deus ordenara que fossem ungidos, em atenção à dignidade de seu ministério.

Sacerdotes são aqueles que, por meio de assíduas preces, recomendam o povo a Deus. São eles que oferecem sacrifícios a Deus, e aplicam pelo povo o poder de sua intercessão. (Nm 16, 46-50; Sb 18,20-25; Hb 5,1-4)

Aos reis, porém, está confiado o governo dos povos. Seu dever primordial é salvaguardar a autoridade das leis, proteger a vida dos inocentes, e punir a audácia dos criminosos.

Ambos os ministérios são, pois, uma imagem da majestade de Deus, aqui na terra. Por isso, os que eram eleitos para a dignidade real ou sacerdotal, recebiam a unção do óleo santo. (1Rs 10,1; 16,13; )

Os profetas: Era também costume ungirem-se os Profetas. Na qualidade de intérpretes e mensageiros de Deus imortal, eles revelavam os segredos do céu, e com salutares conselhos e predições do futuro nos exortavam à regeneração dos costumes.

O Redentor foi ungido pelo Espírito Santo...: “Ora, quando veio a este mundo, Nosso Salvador Jesus Cristo tomou sobre Si o tríplice encargo e função de profeta, de sacerdote e de rei. Por esse motivo é que foi chamado “Cristo”, e ungido para o desempenho daqueles ministérios. Não o foi, contudo, por obra de nenhum mortal, mas pela virtude do Pai Celeste. Não o foi com uma unção de óleo terrestre, mas de óleo espiritual, quando em Sua Alma santíssima se derramaram a graça, a plenitude e os dons do Espírito Santo, em tal superabundância que nenhuma outra criatura a poderia jamais comportar.

É o que muito bem exprime o Profeta, quando interpela o próprio Redentor: “Vós amastes a justiça, e aborrecestes a iniquidade. Por isso Deus, o vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria na presença de vossos companheiros” (Sl 44,8). A mesma idéia, Isaías a exprime com muito mais clareza, na passagem seguinte: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, e Me enviou para pregar aos que são mansos” (Is 61,1).

a) Como sumo profeta...   Jesus Cristo foi, portanto, o Profeta e Mestre supremo que nos ensinou a vontade de Deus, e cuja doutrina fez ao mundo conhecer o Pai celestial. Cabe-Ihe o nome de Profeta com maior glória e distinção, porquanto não passavam de discípulos Seus todos aqueles que [anteriormente] tiveram a honra desse nome, e que não foram enviados senão para anunciar o Profeta por excelência, que viria salvar todos os homens. (Dt 18,15)

b) Eterno Sacerdote...   Cristo foi também Sacerdote, não na ordem pela qual na Antiga lei os sacerdotes procediam da tribo de Levi, mas por aquela que o profeta David exaltou em seu vaticínio: “Vós sois sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec” (Sl 109,4) Na epístola aos Hebreus, o Apóstolo explana detidamente o fundo desta passagem (Cf Hb 5,5ss).

c) Rei universal...   Reconhecemos, igualmente, que Cristo é Rei, não só como Deus, mas também enquanto Homem, participante de nossa natureza. De Sua dignidade real disse o Anjo: “Há de reinar eternamente na casa de Jacob, e Seu reino não terá fim” (Lc 1,32)

Cujo domínio é a Igreja...: Esse Reino de Cristo é espiritual e eterno. Começa na terra, e consuma-se no céu. É com admirável providência que Cristo presta os ofícios de Rei à Sua Igreja. Ele a governa; defende-a dos ataques e embustes do inimigo; prescreve-lhe leis; comunica-lhe santidade e justiça; proporciona-lhe, ainda por cima, força e meios de perseverar.

Que abrange bons e maus...: Nos limites deste Reino, existem bons e maus. Por direito, fazem parte dele todos os homens. No entanto, aqueles que levam uma vida pura e santa, segundo os Seus Mandamentos, chegam a sentir, mais do que os outros, a suma bondade e benevolência de nosso Rei.

E também o mundo inteiro: Este Reino, porém, não Lhe foi adjudicado por direito de herança ou sucessão humana, ainda que Cristo descendesse dos reis mais ilustres. Era Rei, porque Deus reuniu em Sua humanidade tudo o que a natureza humana podia comportar de poder, grandeza e dignidade. Entregou-Lhe, portanto, o governo do mundo inteiro. E Cristo já começou a dominar, mas só no dia do Juízo é que todas as coisas se curvarão, plena e incondicionalmente, à Sua autoridade.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. III, §7)


76) Tiveram os homens algum conhecimento de Jesus Cristo antes da sua vinda?
Sim, os homens tiveram conhecimento de Jesus Cristo antes da sua vinda, pela promessa do Messias, que Deus fez aos nossos primeiros pais Adão e Eva, a qual renovou aos santos Patriarcas; e também pelas profecias e muitas figuras que O designavam.

77) Como sabemos nós que Jesus Cristo é verdadeiramente o Messias e o Redentor prometido?
Sabemos que Jesus Cristo é verdadeiramente o Messias e o Redentor prometido, porque nEle se cumpriu:
1) tudo o que anunciavam as profecias;
2) tudo o que representavam as figuras do Antigo Testamento.

78) Que prediziam as profecias acerca do Redentor?
As profecias prediziam acerca do Redentor: a tribo e a família da qual devia sair; o lugar e o tempo do nascimento; os seus milagres e as mais minuciosas circunstâncias da sua Paixão e morte; a sua ressurreição e ascensão ao Céu; o seu reino espiritual, universal e perpétuo, que é a Santa Igreja Católica.

79) Quais são as principais figuras do Redentor no Antigo Testamento?
As principais figuras do Redentor no Antigo Testamento são o inocente Abel, o sumo sacerdote Melquisedec, o sacrifício de Isaac, José vendido pelos irmãos, o profeta Jonas, o cordeiro pascal e a serpente de bronze, levantada por Moisés tio deserto.

80) Como sabemos nós que Jesus Cristo é verdadeiro Deus?
Sabemos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus:
1) pelo testemunho do Padre Eterno, quando disse: “Este é O meu Filho muito amado, no qual tenho posto todas as minhas complacências: ouvi-O”;
2) pela afirmação do próprio Jesus Cristo, confirmada com os mais estupendos milagres;
3) pela doutrina dos Apóstolos;
4) pela tradição constante da Igreja Católica.

81) Quais são os principais milagres operados por Jesus Cristo?
Os principais milagres operados por Jesus Cristo são, além da sua ressurreição, a saúde restituída aos enfermos, a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, a vida aos mortos.


Por aqui terminamos o segundo artigo do Credo: “e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor”. Que possamos absorver com muitíssimos frutos a doutrina deste artigo.



Do primeiro artigo do “Credo” - Parte II: Criador do céu e da terra



Continuando de onde paramos, neste artigo falaremos da Criação.



28) Que quer dizer Criador do céu e da terra?
Criar quer dizer fazer do nada; portanto, Deus diz-se Criador do céu e da terra,
porque fez do nada o céu e a terra, e todas as coisas que no céu e na terra se contêm, isto é, todo o universo.


A Criação é um ato de onipotência

“O que agora vamos dizer da criação de todas as coisas, mostrará claramente como era necessário explicar antes aos fiéis a noção da onipotência divina. Com maior facilidade acreditarão o milagre que se manifesta em obra tão grandiosa, se nenhuma dúvida tiverem a respeito do imenso poder do Criador.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §15)


É um ato de Amor espontâneo

“Pois Deus não formou o mundo de uma matéria preexistente, mas criou-o do nada, sem a tanto sem a tanto ser obrigado por violência estranha ou necessidade natural; mas por Sua livre e espontânea vontade.

Nenhum outro motivo O impeliu a criar o mundo, senão a Sua própria bondade. Queria comunicá-la a todas as coisas que criasse. Possuindo por Sua natureza toda a felicidade, Deus não tem falta de coisa nenhuma, como exprime o rei David: “Disse eu ao Senhor: Vós sois o meu Deus, e não tendes precisão dos meus bens” (Sl 15,1).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §15)


É um ato de sabedoria infinita

“Assim como do obedeceu senão à própria bondade, para fazer tudo o que era do Seu agrado (Sl 113,3), assim também não seguiu na criação nenhum modelo que estivesse fora de Sua própria natureza.

Sua inteligência infinita possui, dentro de Si mesma, a idéia exemplar de todas as coisas. Contemplando, pois, em si mesmo essa idéia exemplar; e reproduzindo-a, por assim dizer, com a suma sabedoria e o infinito poder, que Lhe são próprios, o Supremo Artífice criou no principio todas as coisas do Universo. Ele disse, e tudo foi feito; Ele mandou, e tudo foi criado (Sl 148,5).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §15)


29) O mundo foi criado somente pelo Padre?
O mundo foi criado igualmente por todas as três Pessoas divinas, porque aquilo que uma Pessoa faz relativamente às criaturas, fazem-no com um só e o mesmo ato também as outras.

30) Por que então a criação se atribui particularmente ao Padre?
Atribui-se a criação particularmente ao Padre, porque a criação é efeito da onipotência divina a qual se atribui particularmente ao Padre, como se atribui a sabedoria ao Filho e a bondade ao Espírito Santo, embora todas as três Pessoas tenham a mesma onipotência, sabedoria e bondade.

“[...] Resta-nos, ainda, advertir que a Criação é obra comum de todas as três Pessoas da Santa e Indivisível Trindade.

Neste lugar, confessamos pela doutrina dos Apóstolos, que o Padre é o Criador do céu e da terra. Nas Escrituras, porém, lemos com relação ao Filho que por Ele foram feitas todas as coisas (Jo 1,3). Acerca do Espírito Santo: O Espírito de Deus movia-Se por sobre as águas (Gn 1,2). Noutro lugar: Pela palavra do Senhor foram assentes os céus, e do hálito de Sua boca procede toda a pujança [de vida]” (Sl 32,6).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §23)


31) Deus cuida do mundo e de todas as coisas que criou?
Sim, Deus cuida do mundo e de todas as coisas que criou, conserva-as e governa-as com a sua infinita bondade e sabedoria, e nada sucede no mundo, sem que Deus o queira, ou o permita.

32) Por que dizeis que nada sucede, sem que Deus o queira, ou o permita?
Diz-se que nada sucede no mundo, sem que Deus o queira, ou o permita, porque há coisas que Deus quer e manda, e outras que Ele não quer, porém, não impede, como o pecado.

33) Por que Deus não impede o pecado?
Deus não impede o pecado, porque até mesmo do abuso que o homem faz da
liberdade que lhe concedeu, sabe tirar um bem, e fazer resplandecer ainda mais a sua misericórdia ou a sua justiça.


“Não devemos, porém, crer que Deus é Criador e Autor de todas as coisas, de molde que, consumada a obra da Criação, os seres por Ele criados pudessem, em nossa opinião, continuar a subsistir sem o auxilio de Sua potência infinita.

Como tudo só existe, graças à onipotência, sabedoria e bondade do Criador, todas as criaturas recairiam logo em seu nada, se Deus lhes não assistisse continuamente pela Sua Providência, e não as conservasse pelo mesmo poder que, desde o principio, empregou para as criar. A Escritura no-lo declara em termos formais: Como poderia subsistir alguma coisa, se Vós o não quisésseis? Como poderia conservar-se o que Vós não tivésseis chamado? (Sb 11,26).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §21)

“Sobre conservar e governar, pela sua Providência, tudo o que existe, Deus comunica, por um impulso interior, ação e movimento a todas as coisas, conforme a propriedade que tem cada qual, de mover-se e operar.

Sem as impedir, Deus antecipa-Se à influência das causas segundas, como uma virtude oculta que se estende a todas as coisas, e, no dizer do Sábio, atinge fortemente de um extremo a outro, e dispõe todas as coisas com suavidade (Sb 8,1).

Por esse motivo, ao anunciar aos atenienses o Deus que eles adoravam, sem O conhecerem, o Apóstolo disse-lhes: Não está longe de cada um de nós, pois n'Ele vivemos, n'Ele nos movemos, e n'Ele subsistimos. (At 17,27ss).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §22)


Descrição da Criação

O firmamento

“Pelos termos céu e terra, deve tomar-se tudo o que o céu e a terra compreendem. Além dos céus, que o Profeta considerava como obra de Suas mias (Sl 8,4), Deus criou também a claridade do sol e o encanto da lua e dos outros corpos celestes, para que servissem de sinais para os tempos, os dias e os anos” (Gn 1,14). Aos astros marcou uma órbita inalterável, de sorte que não pode haver coisa mais rápida que suas contínuas rotações, nem coisa mais regular que sua velocidade.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §16)


Os Anjos
(§ 2º - Dos Anjos)


“Vou declarar-vos toda a verdade e nada vos ocultarei. Já vos declarei e disse: É bom guardar oculto o segredo de um rei; as obras de Deus, porém, devem ser reveladas, com a glória devida.

Quando tu e Sara fazíeis oração, eu apresentava o memorial de vossa prece diante da glória do Senhor; e fazia o mesmo quando tu, Tobi, enterravas os mortos. Quando não hesitaste em levantar-te e deixar tua refeição e saíste para resguardar o cadáver, fui enviado a ti para ter pôr à prova. E Deus me enviou, também, para curar a ti e a Sara, tua nora. Eu sou Rafael, um dos sete anjos que permanecem diante da glória do Senhor e têm acesso à sua presença”.

Atônitos, os dois, prostraram-se com a face por terra, cheios de temor.

Mas ele prosseguiu: “Não temais! A paz esteja convosco! bendizei a Deus por todos os séculos. Quando estava convosco, não era por benevolência minha que vos assistia, mas pela vontade de Deus. Bendizei-o todos os dias e cantai seus louvores. Vós me víeis comer, embora eu nada comesse. Era só aparência o que víeis. Agora, bendizei o Senhor sobre a terra e dai graças a Deus. Eis que eu subo para junto de Quem me enviou. Escrevei tudo o que vos aconteceu”. E ele subiu.

Então levantaram-se, mas não o viram mais”.

Tobias 12, 11-20


Em 14 questões, o catecismo de São Pio X nos apresenta a doutrina dos anjos:

34) Quais são as criaturas mais nobres que Deus criou?
As criaturas mais nobres, criadas por Deus, são os Anjos.

35) Quem são os Anjos?
Os Anjos são criaturas inteligentes e puramente espirituais, sem corpo.

36) Para que fim criou Deus os Anjos?
Deus criou os Anjos para ser por eles honrado e servido, e para os fazer eternamente felizes.

37) Que forma e que figura têm os Anjos?
Os Anjos não têm forma nem figura alguma sensível, porque são puros espíritos, criados por Deus para subsistirem, sem terem de estar unidos a corpo algum.

38) Por que então se representam os Anjos com formas sensíveis?
Representam-se os Anjos com formas sensíveis: para auxiliar a nossa imaginação; porque assim apareceram muitas vezes aos homens, como lemos na Sagrada Escritura.

“A par do firmamento, Deus criou do nada seres de natureza espiritual, os inúmeros Anjos,
cujo ministério era servir-Lhe, e assistir diante de Seu trono. Conferiu-lhes depois o admirável dom de Sua graça e poder.

Se na Bíblia está escrito: O demônio não persistiu na verdade (Jo 8,44), não padece dúvida que ele e os outros anjos rebeldes haviam [também] recebido a graça, desde o primeiro instante de sua existência.

Santo Agostinho diz a respeito: Criou os Anjos e dotou-os de boa vontade, quer dizer, com o casto amor que os unia a Deus. Em formando a natureza [angélica], infundiu-lhes ao mesmo tempo a graça. Daí devemos concluir que os Anjos bons nunca se viram destituídos de boa vontade, isto é, de amor a Deus. (Aug. De civit. Dei XII 9)

Quanto ao grau da ciência [angélica], há um testemunho das Sagradas Letras: Vós, Senhor meu Rei, sois sábio, como a sabedoria que tem um Anjo de Deus, para entendermos tudo o que se passa sobre a terra (II Rs 14,20).

Indicam enfim o poder dos Anjos as palavras que lhes aplica o rei David: Sois poderosos e fortes, e executais a Sua vontade (Sl 102,20). Por esse motivo, a Sagrada Escritura lhes dá, muitas vezes, o nome de virtudes e exércitos do Senhor (Sl 102,21; 23,10; 45,8; 58,6; 79,5; 83,2; Rm 8,38).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §17)


39) Foram os Anjos todos fiéis a Deus?
Os Anjos não foram todos fiéis a Deus, mas muitos por soberba pretenderam ser iguais a Ele, e independentes do seu poder; e por este pecado foram excluídos para sempre do Paraíso, e condenados ao Inferno.

40) Como se chamam os Anjos excluídos para sempre do Paraíso, e condenados ao Inferno?
Os Anjos excluídos para sempre do Paraíso e condenados ao Inferno, chamam-se demônios, e o seu chefe chama-se Lúcifer ou Satanás.

“Dotados que eram, todos, de prendas celestiais, muitos deles abandonaram todavia a Deus, seu Pai e Criador. Foram, por conseguinte, derrubados de seus altos tronos, e detidos numa prisão muito escura da terra, onde agora sofrem o eterno castigo de sua soberba.

Deles escreve o Príncipe dos Apóstolos: Deus não poupou os Anjos que pecaram, mas acorrentados os precipitou nos abismos do inferno, para serem cruciados, e tidos em reserva até o dia do juízo (II Pd 2,4).” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §17)


41) Os demônios podem fazer-nos algum mal?
Sim, os demônios podem fazer-nos muito mal à alma e ao corpo, se Deus lhes der licença, sobretudo tentando-nos a pecar.

42) Por que nos tentam os demônios?
Os demônios tentam-nos pela inveja que nos têm e que lhes faz desejar a nossa eterna condenação, e por ódio a Deus, cuja imagem em nós resplandece. E Deus permite as tentações, a fim de que nós, vencendo-as com a sua graça, pratiquemos as virtudes e alcancemos merecimentos para o Céu.

43) Como podemos vencer as tentações?
Vencem-se as tentações com a vigilância, com a oração e com a mortificação
cristã.

44) Os Anjos que se conservaram fiéis a Deus, como se chamam?
Os Anjos que se conservaram fiéis a Deus chamam-se Anjos bons, Espíritos celestes, ou simplesmente Anjos.

45) Que aconteceu aos Anjos que se conservaram fiéis a Deus?
Os Anjos que se conservaram fiéis a Deus, foram confirmados em graça, gozam para sempre da vista de Deus, amam-No, bendizem-No e louvam-No eternamente.

46) Deus serve-se dos Anjos como seus ministros?
Sim, Deus serve-se dos Anjos coma seus ministros, e especialmente confia a muitos dentre eles o ofício de nossos guardas e protetores.

47) Devemos ter particular devoção ao nosso Anjo da guarda?
Sim, devemos ter particular devoção ao nosso Anjo da guarda, honrá-lo, implorar o seu auxílio, seguir as suas inspirações rações e ser-lhe reconhecidos pela assistência contínua que nos dá.

 
A terra


“Com o poder de Sua palavra, Deus também firmou a terra em bases sólidas (Sl 103,5; 8,9), e deu-lhe um lugar no meio do Universo. Fez que os morros se erguessem, e os campos baixassem ao nível que lhes tinha marcado. (Sl 103,5; 8,9). E para que as massas de água não inundassem a terra, assentou-lhes limites dos quais não passarão, e não tornarão a cobri-Ia (Sl 103,5; 8,9).

Em seguida, revestiu a terra de árvores e de toda a sorte de flores; encheu-a também de inúmeras espécies de animais, como antes já o tinha feito com as águas e os ares.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §18)


O homem

(§ 3º - Do Homem)


“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (pessoa) vivente.

Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio um paraíso de delícias, no qual Pôs o homem que tinha formado. E o Senhor Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer; e a árvore da vida no meio do paraíso, e a árvore da ciência do bem e do mal. Deste lugar de delícias saía um rio para regar o paraíso, o qual dali se divide em quatro braços. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que torneia todo o país de Evilat, onde se encontra o ouro. E o ouro deste país é ótimo; ali (também) se acha o bdélio e a pedra ônix. O nome do segundo rio é Gion; este é aquele que torneia toda a terra de Etiópia. O nome, porém, do terceiro rio é Tigre, que corre para a banda dos assírios. E o quarto rio é o Eufrates.

Tomou Pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente.

Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe um adjuntório semelhante a ele tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais terrestres, e todas as aves do céu, levou-os diante de Adão, para este ver como os havia de chamar; e todo o nome que Adão pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. E Adão pôs nomes convenientes a todos os animais, a todas as aves do céu, e a todos os animais selváticos; mas não se achava para Adão um adjuntório semelhante a ele.

Formação da mulher e instituição do matrimônio: Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão; e, enquanto ele estava dormindo, tirou uma das suas costelas, e pôs carne no lugar dela. E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada.”

Gênesis 2, 7-23


48) Qual é a criatura mais nobre que Deus colocou sobre a terra?
A criatura mais nobre que Deus colocou sobre a terra, é o homem.

49) Que é o homem?
O homem é uma criatura racional, composta de alma e corpo.


“Por último, Deus formou do limo da terra o corpo do homem, de maneira que fosse imortal e impassível, não por exigência da própria natureza, mas por mero efeito da bondade divina.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §19)

 
50) Que é a alma?
A alma é a parte mais nobre do homem, porque é substância espiritual, dotada de inteligência e de vontade, capaz de conhecer a Deus e de O possuir eternamente.

51) Pode-se ver e apalpar a alma humana?
Não se pode ver nem apalpar a nossa alma, porque é espírito.

52) Morre a alma humana com o corpo?
A alma humana nunca morre; a fé e a mesma razão provam que ela é imortal.

53) É livre o homem nas suas ações?
Sim, o homem é livre nas suas ações; e cada qual sente, dentro de si mesmo, que pode fazer uma ação e deixar de fazê-la, ou fazer antes uma que outra.

54) Explicai com um exemplo a liberdade humana.
Se eu disser voluntariamente uma mentira, sinto que poderia deixar de dizê-la,
e calar-me, e que poderia também falar de outro modo, dizendo a verdade.

55) Por que se diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?
Diz-se que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, porque a alma humana é espiritual e racional, livre na sua ação, capaz de conhecer e de amar a Deus, e de gozá-Lo eternamente, perfeições que refletem em nós um raio da infinita grandeza de Deus.


“A alma, porém, Deus a criou à Sua imagem e semelhança, e dotou-a de livre arbítrio. Além de tudo, regulou os movimentos e apetites da alma, de sorte que sempre obedecessem ao império da razão. Finalmente, deu-lhe ainda o admirável dom da justiça original, e quis que tivesse o governo de todos os outros seres animados.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. II, §19)


56) Em que estado criou Deus os nossos primeiros pais Adão e Eva?
Deus criou Adão e Eva no estado de inocência e de graça; mas depressa o perderam, pelo pecado.

57) Além da inocência e da graça santificante, com cedeu Deus ao nossos primeiros pais outros dons?
Além da inocência e da graça santificante, Deus concedeu aos nossos primeiros pais outros dons, que eles deviam transmitir, juntamente com a graça santificante, aos seus descendentes, e eram: a integridade, isto é, a perfeita sujeição dos sentidos à razão; a imortalidade; a imunidade de todas as dores e misérias; e a ciência proporcionada ao seu estado.

58) Qual foi o pecado de Adão?
O pecado de Adão foi um pecado de soberba e de grave desobediência.

59) Qual foi o castigo do pecado de Adão e Eva?
Adão e Eva perderam a graça de Deus e o direito que tinham ao céu, foram expulsos do Paraíso Terrestre, sujeitos a muitas misérias na alma e no corpo, e condenados a morrer.

60) Se Adão e Eva não tivessem pecado, ficariam livres da morte?
Se Adão e Eva não tivessem pecado, mas se se tivessem conservado fiéis a Deus, depois de uma permanência feliz e tranquila neste mundo, teriam sido levados por Deus ao Céu, sem morrer, a gozar uma vida eterna e gloriosa.

61) Eram estes dons devidos ao homem?
Estes dons não eram devidos por nenhum título ao homem, mas eram absolutamente gratuitos e preternaturais; e por isso, tendo Adão desobedecido ao preceito divino, Deus pôde, sem injustiça, privar deles a Adão e a toda a sua
descendência.

62) Este pecado, é próprio somente de Adão?
Este pecado não é só de Adão, mas é também nosso, embora por diverso título. É próprio de Adão, porque ele o cometeu com um ato da sua vontade, e por isso nele foi pessoal. É nosso, porque tendo Adão pecado como cabeça e fonte de todo o gênero humano, é transmitido por geração natural a todos os seus descendentes, e por isso para nós é pecado original.

63) Como é possível que o pecado original se transmita a todos os homens?
O pecado original transmite-se a todos os homens, porque tendo Deus conferido ao gênero humano, em Adão, a graça santificante e os outros dons preternaturais, com a condição de que ele não desobedecesse, e tendo este desobedecido na sua qualidade de cabeça e pai do gênero humano, tornou a natureza humana rebelde a Deus. Por isso a natureza humana é transmitida a todos os descendentes de Adão num estado de rebeldia contra Deus, privada da graça divina e dos outros dons.

64) Contraem todos os homens o pecado original?
Sim, todos os homens contraem o pecado original, exceto a Santíssima Virgem que dele foi preservada por Deus, com singular privilégio, na previsão dos merecimentos de Jesus Cristo Nosso Salvador.

65) Depois do pecado de Adão, já não poderiam os homens salvar-se?
Depois do pecado de Adão, os homens já não poderiam salvar-se, se Deus não tivesse usado para com eles de misericórdia.

66) Qual foi a misericórdia de que Deus usou para com o gênero humano?
A misericórdia de que Deus usou para com o gênero humano, foi prometer logo a Adão um Redentor divino, ou Messias, enviá-Lo depois a seu tempo, para libertar os homens da escravidão do demônio e do pecado.

67) Quem é o Messias prometido?
O Messias prometido é Jesus Cristo, como nos ensina o segundo artigo do Credo.