“Os que prenderam Jesus levaram-no a Caifás, o Sumo Sacerdote, onde os escribas e anciãos se haviam reunido. Pedro o seguiu de longe até o pátio do Sumo Sacerdote. Entrou ali e sentou-se junto com os guardas para ver como ia terminar. Os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam falsos testemunhos contra Jesus para condená-lo à morte. Mas não os encontraram, embora muitas testemunhas falsas se tivessem apresentado.
Finalmente apresentaram-se duas testemunhas que disseram: Este homem falou: Posso destruir o Santuário de Deus e em três dias reconstruí-lo. Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou: Nada respondes ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, permanecia calado.
O Sumo Sacerdote lhe disse: Conjuro-te pelo Deus vivo: dize-nos se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Jesus respondeu-lhe: Tu o disseste. Entretanto eu vos digo: Um dia vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu. Então o Sumo Sacerdote rasgou as vestes e disse: Blasfemou! Que necessidade temos de mais testemunhas?
Acabais de ouvir a blasfêmia. O que vos parece? Eles responderam: É réu de morte. Então começaram a cuspir-lhe no rosto e a dar-lhe bofetadas, e outros a ferir-lhe o rosto; e diziam: Adivinha, ó Cristo, quem foi que te bateu?”
Mt 7, 57-68
119) Que nos
ensina o sexto artigo do Credo: subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus
Padre todo-poderoso?
O sexto artigo
do Credo ensina-nos que Jesus quarenta dias depois da sua ressurreição na
presença dos seus discípulos, subiu por Si mesmo ao Céu e que sendo, enquanto
Deus, igual ao Padre Eterno na Glória, enquanto homem, foi elevado acima de
todos os Anjos e de todos os Santos, e constituído Senhor de todas as coisas.
“Ao contemplar,
cheio do Espírito de Deus, a bem-aventurada Ascensão de Nosso Senhor, o profeta
David exorta o mundo Inteiro a celebrar o Seu triunfo, em transportes de
alegria e satisfação. “Nações todas, diz ele, batei palmas, louvai a Deus em
cantos de alegria! Subiu Deus no meio de aclamações” (Sl 14,35).
A explicação do
sexto Artigo, cujo objeto versa principalmente este divino Mistério, deve pois
começar pela primeira parte, e descortinar toda a sua significação.
Os fiéis devem
crer, sem a menor dúvida, que Jesus Cristo, depois de consumar o mistério de
nossa Redenção, subiu aos céus enquanto Homem, com corpo e alma; enquanto Deus,
nunca de lá se ausentou, pois que enche todos os lugares com Sua Divindade.
Ensinará, todavia,
que subiu por virtude própria. Não foi arrebatado por uma força estranha, como
Elias que fora levado ao céu num carro de fogo (2 Rs 2,11-12), nem como Habacuc
(Dn 14,35) ou o diácono Filipe (At 8,39) que, transportados através dos ares
por uma virtude divina, venceram as distancias de terras longínquas.
Entretanto, não
subiu aos céus só pela virtude de Sua onipotência, mas também em Sua condição
de homem. Isto não podia acontecer por força da natureza; mas, pela virtude de
que estava munida, podia a gloriosa Alma de Cristo mover o corpo a seu grado. Tendo
já a posse da glória, o corpo obedecia, sem dificuldade, à direção que a alma
lhe dava, em seus movimentos. Desta maneira é que acreditamos ter Cristo subido
aos céus, por virtude própria, como Deus e como Homem.” (Catecismo Rom.,
Parte I, Cap. VII, §1-2)
120) Por que
Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, esteve quarenta dias na terra, antes
de subir ao Céu?
Jesus Cristo,
depois da sua ressurreição, esteve quarenta dias na terra, antes de subir ao
Céu, para provar, com várias aparições, que ressuscitara verdadeiramente, e
para instruir melhor os Apóstolos e confirmá-los nas verdades da fé.
121) Por que
Jesus Cristo subiu ao Céu?
Jesus Cristo
subiu ao Céu:
1) para tomar
posse do seu reino, que havia merecido com sua morte;
2) para preparar
o nosso lugar na glória, e para ser nosso Mediador e Advogado junto do Padre
Eterno;
3) para enviar o
Espírito Santo aos seus Apóstolos.
“Depois desta
exposição, é preciso ainda explicar bem as razões por que Cristo subiu aos
céus. Antes de tudo, subiu aos céus, porque a Seu Corpo, dotado de glória
imortal desde a Ressurreição, já não lhe convinha esta obscura morada da terra,
mas antes a elevada e esplendorosa mansão dos céus.
E não foi
só para tomar posse do trono de glória e poder, merecido pelo [Seu próprio]
Sangue; mas também para diligenciar tudo o que diz respeito à nossa salvação.
Além disso, foi
para provar realmente que “Seu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Os reinos
do mundo são terrenos e passageiros, apóiam-se em grandes cabedais e na força
proveniente da carne. Ora, o Reino de Cristo
não era terrestre, como os judeus esperavam, mas espiritual e eterno. Colocando
Seu trono nos céus, o próprio
Cristo demonstrou que as forças e riquezas de Seu reino eram de natureza
espiritual.
Neste Reino, os mais ricos e os mais providos
com a abundância de todos os bens são aqueles que [na terra] procuram com maior ardor as coisas de Deus. Santiago,
com efeito, declara que Deus escolheu “os pobres neste mundo, para serem
ricos na fé, e herdeiros do Reino que Deus prometeu àqueles que O amam”.
Pela Ascensão,
Nosso Senhor queria pensamento que, subindo Ele aos céus, continuássemos nós a segui-l’O com saudosos pensamentos. Com
efeito, pela Sua Morte e Ressurreição, deixou-nos um exemplo que nos mostra
como devemos morrer e ressurgir espiritualmente. Pela Sua Ascensão também nos ensina e educa a erguermos nossa mente ao céu,
enquanto vivemos ainda aqui na terra; a reconhecermos que, na terra,
somos hóspedes e peregrinos à procura
da [verdadeira] pátria (Hb 11,13), concidadãos dos Santos e membros da família
de Deus (Ef 2,19), pois como diz o mesmo Apóstolo: “Nosso viver é no céu” (Fl
3,20).
A eficácia e a grandeza dos inefáveis
benefícios que a bondade de Deus derramou sobre nós [por meio deste Mistério],
desde muito as havia vaticinado o santo profeta David: “Subindo ao alto,
arrebatou consigo os escravos, e distribuiu Seus dons aos homens” (Sl 67,19). Neste
sentido é que o Apóstolo interpreta esta passagem (cf. Ef 4,8).
Efetivamente, ao cabo de dez dias, enviou
[Cristo] o Espírito Santo, de cuja virtude e exuberância encheu a multidão de
fiéis ali presentes. Então é que cumpriu verdadeiramente aquela grandiosa
promessa: “Para vós convém que Eu me vá. Se Eu não for, não virá a vós o
Consolador; mas, se for, Eu vo-l’O enviarei” (Jo 16,7; At 1,4-5).
Pela doutrina do Apóstolo, [Cristo] também
subiu aos céus “para Se apresentar agora ante a face de Deus em favor nosso”
(Hb 9,24), e exercer perante o Pai o ofício de advogado. “Filhinhos meus, diz
São João, eu vos escrevo para que não venhais a pecar. No entanto, se alguém pecar,
por advogado junto ao Pai temos a Jesus Cristo, o Justo. Ele próprio é
propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2,1ss).
Nada pode inspirar aos fiéis maior alegria e felicidade, do que
verem a Jesus Cristo feito patrono de nossa causa, e intercessor pela nossa
salvação, Ele que goza junto ao Eterno Pai de suma influência e autoridade.
Afinal, preparou-nos um lugar, conforme o
havia prometido (Jo 14,2). Foi em nome de todos nós que Jesus Cristo, como
nosso Chefe, entrou na posse da glória celeste.
Com Sua ida para o céu, abriu as portas que
se tinham fechado, em conseqüência do pecado de Adão. Franqueou-nos um caminho para
chegarmos à celestial bem-aventurança, conforme predissera aos Discípulos na
última Ceia. Para confirmar Sua promessa com a realidade dos fatos, levou consigo,
para a mansão da eterna bem-aventurança, as almas dos justos que tinha arrancado
dos infernos.” (Catecismo Rom., Parte I, Cap. VII, §5-6)
122) Por que se
diz de Jesus Cristo que subiu ao Céu, e de sua Mãe Santíssima se diz que foi levada
para o Céu?
Diz-se de Jesus
Cristo que subiu, e de sua Mãe Santíssima que foi levada ao Céu, porque Jesus
Cristo, sendo Homem-Deus, subiu ao Céu por virtude própria; mas sua Mãe, que
era criatura, embora a mais digna de todas, foi levada ao Céu por virtude de
Deus.
123) Explicai as
palavras: Está sentado à direita de Deus Padre todo-poderoso.
As palavras “está
sentado” significam a posse pacífica que Jesus Cristo tem da sua glória, as
palavras à direita de Deus Padre todo-poderoso exprimem que Ele, tem o lugar de
honra sobre todas as criaturas.
“Na segunda
parte do Artigo estão as palavras: “Está sentado à direita de [Deus] Padre”.
Esta expressão encerra uma figura de linguagem, muito usada nas Escrituras.
Para maior facilidade de compreensão, atribuímos a Deus afetos e membros
humanos, apesar de não podermos imaginar nada de corpóreo em Deus, porque é [puro]
espírito.
Mas, como nas
relações sociais julgamos dar maior honra a quem colocamos a nossa direita,
assim aplicamos também o mesmo princípio às coisas do céu. Confessamos que
Cristo está à direita do Pai, para exprimir a glória que, como Homem, alcançou acima
de todas as criaturas.
O “estar sentado”
não exprime aqui uma postura de corpo, mas põe em evidência a posse segura e inabalável
do régio poder e da glória infinita, que [Cristo] recebeu de Seu Pai.
Disso fala o
Apóstolo: “Ressuscitou-O da morte, e colocou-O à Sua direita no céu, acima de
todos os principados e potestades, virtudes e dominações, de todas as
dignidades que possa haver não só neste mundo, mas também no mundo futuro. Pôs-Lhe
aos pés todas as coisas” (Ef 1,20ss).
Destas palavras
inferimos que tal glória é tão própria e particular de Nosso Senhor, que não pode
convir a nenhuma outra natureza criada. Eis por que o Apóstolo declara em outro
lugar: “A qual dos Anjos disse jamais: Senta-te a minha direita?” (Hb 1,13; Sl
109,1).” (Catecismo Rom.,
Parte I, Cap. VII, §3).
“Desde a
eternidade era este o lugar do Filho de Deus. Mas o Filho de Deus se fez homem,
por isso Jesus Cristo tem o direito de sentar à direita de Deus, porque Ele tem
direito sobre o reino mesmo na Sua qualidade de Homem.” (Enciclopédia
Catequética, vol. I, Lição 36).
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